O Projeto Mamíferos Marinhos do Maranhão – Promar -, vinculado ao Núcleo de Biodiversidade do Maranhão da Universidade Estadual, registrou recentemente o encalhe vivo de um exemplar do golfinho-de-fraser (Lagenodelphis hosei) na praia de Caburé, pertencente ao município de Barreirinhas.
Este é o primeiro registro da espécie no norte do Brasil, mas a ocorrência dela na costa maranhense pode ser comum, apontam os especialistas do Promar.
O golfinho-de-fraser apresenta hábito pelágico (de alto mar), mas pode deslocar-se para áreas próximas da costa, principalmente para forrageio, como já constatado por pesquisadores do sul do país.
O espécime do Maranhão teve seu registro feito a partir de fotografias tiradas e doadas ao projeto por donos de pousadas da região. Além do registro de encalhe, os pesquisadores descobriram, por meio de entrevistas, que a carne do animal foi consumida por moradores locais e também utilizada como isca, sendo posteriormente descartada no mar, antes mesmo da chegada dos pesquisadores.
Segundo o biólogo e coordenador do Promar, Fagner Magalhães, o exemplar encontrado pelos pescadores apresentava-se debilitado, sendo possível observar as marcas das costelas, o que levanta a hipótese de que o animal estaria doente.
“O que mais preocupa é o fato de que, com o consumo da carne, os pescadores locais podem estar expostos a contaminação”, diz ele.
Essa informação indica que a utilização da carne de cetáceos para diversos fins não está somente afetando as espécies de hábito costeiro como o boto-cinza (Sotalia guianensis), mas também espécies oceânicas que podem vir a encalhar no Maranhão.
“Trabalhos de educação ambiental aliados com atividades de fiscalização dos órgãos responsáveis precisam ser intensificadas na região, indicando os riscos que o consumo da carne podem causar para a saúde da comunidade”, antecipa Fagner.
A aparição do golfinho-de-fraser no Maranhão será brevemente publicada online na Journal of Marine Biological Association 2 – Diversity records e estará disponível para todos os interessados.
Por: Monica Pinto
Fonte: Ambiente Brasil