Em apenas 20 quilômetros da praia de Balneário Gaivota, Extremo-Sul do Estado, 10 toneladas de quatro espécies de peixes em desenvolvimento apodrecem na areia.
A situação ocorreu durante o final de semana, e o desperdício se entende da barra de Passo de Torres, no Extremo-Sul, até a praia de Morro dos Conventos, em Araranguá, Sul do Estado, cerca de 70 quilômetros de litoral.
De acordo com os pescadores da colônia Z 20, seis barcos que praticavam pesca de arrasto próximo da costa fizeram o descarte dos peixes em desenvolvimento (entre 10 e 15 centímetros). Corvinas, pescadas amarelas e brancas, tainhas e papa-terra estão espalhadas e estragam na areia.
Conforme o pescador Claudio José Silveira, 52 anos, os barcos trabalharam durante a noite de sábado para domingo. As embarcações, relata, estavam com as numerações e os nomes tapados para impedir identificação. As redes de arrasto foram estendidas a aproximadamente 500 metros da praia, quando o certo seria a cinco quilômetros de distância.
Conforme o técnico ambiental do Ibama, Vitor Martins, a prática de arrasto ocorre anualmente do Farol de Santa Marta em direção ao Sul. A instituição, afirma, tem fiscalização programada para o Sul do Estado, mas reconhece as dificuldades em realizar o serviço e impedir a atividade de arrasto.
Para impedir a pesca de arrasto próximo da área de pesca artesanal, a comunidade pesqueira aguarda a aprovação do pedido feito em junho de 2006, quando o ex-Ministro da Pesca José Fritsch esteve no Estado. Os pescadores solicitaram a montagem de uma barreira de pés de galinha para delimitar a área de pesca, mas até hoje não obtiveram resposta.
Por: Ana Paula Cardoso
Fonte: Diário Catarinense