Apesar da Fronteira Oeste não ter tradição no cultivo de cenouras, os agricultores familiares Luciano Fagundes e Paulo Simonetti resolveram investir na plantação. A produção que vem crescendo e ganhando novos mercados há quatro anos, enfrenta problema com a ação de lebres. Os animais, introduzidos na região há mais de cem anos, são uma das maiores barreiras para garantir a colheita e a qualidade do produto.
A plantação de cenouras na localidade de Toro Passo, zona rural de Uruguaiana, iniciou com três hectares. Esse ano já são seis hectares, mas a invasão de lebres não permite maiores investimentos. Os produtores ainda não têm condições de proteger a área plantada com telas e estão apelando para todo tipo de alternativa a fim de espantar o que consideram uma praga.
O animal come as folhas das cenouras logo no início da brotação, ocasionando atraso no crescimento do legume. Quando a cenoura começa a crescer e a parte de cima aparece para fora da terra, é a fase preferida dos animais. A colheita prevista de 18 toneladas de cenouras por hectare está programada para o final do mês.
– Elas prejudicam a formação das cenouras. O resultado é que não conseguimos obter um produto de qualidade e, portanto, a venda torna-se mais difícil – salienta Fagundes.
Cansado de abater os animais e temendo estar cometendo algum crime ambiental, Simonetti procurou se informar sobre as alternativas de espantar os invasores. Descobriu que saquinhos contendo cabelos humanos ajudariam a afugentar as lebres.
– Peguei restos de cabelos em salões de beleza, coloquei em saquinhos com pequenos furos e amarramos nas cercas. No início até ajudou, mas depois, elas voltaram – diz.
Outra alternativa usada foi atirar foguetes nas proximidades da plantação, pois o barulho afugenta os animais.
Contraponto
O que diz o Ibama:
O chefe do escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em Uruguaiana, Maurício de Souza, diz que soluções populares como a do cabelo na cerca não são eficientes. Nesses casos, o produtor deve procurar o escritório do Ibama, que mandará um técnico fazer uma avaliação na plantação. Souza explica ser comum esse ataque, já que o lugar oferece comida em abundância, e a proliferação acelerada dos roedores pode estar combinada à falta de predador, já que o animal não é de origem da região.
- Conforme a lei dos crimes ambientais, se determinado animal vira praga, colocando em risco a plantação, pode-se fazer o extermínio. Mas precisamos constatar que realmente o animal é uma praga, e o abate ocorre só em último caso. A primeira alternativa sempre será a tentativa de manejo dos animais para outro lugar - explica.
Por: MARINA LOPES
Fonte: ZERO HORA