Uma equipe de cientistas localizou a parte do aparelho bucal do pulgão na qual estes insetos retêm a maioria dos vírus que transmitem às plantas, causando pragas de impacto ecológico e econômico.
O diretor do Instituto de Ciências Agrárias da Espanha, Alberto Fereres, que dirige a pesquisa junto com Stephan Blanc, do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França, explicou à agência Efe que se trata da primeira vez que se identifica e caracteriza quimicamente a região dos pulgões envolvida na retenção da maioria dos vírus que transmitem.
A importância da descoberta reside no fato, segundo Fereres, de que agora será possível desenvolver compostos para bloquear a capacidade dos pulgões de reter os vírus e impedir, portanto, sua transmissão e propagação em cultivos.
O trabalho, que será publicado nesta terça-feira (23) na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", se baseou no estudo de duas espécies de pulgões que transmitem o "vírus do mosaico da couve-flor" - o Brevicoryne brassicae e o Myzus persicae - e outra que ataca as plantas leguminosas - o Acyrthosiphon pisum.
Os cientistas descobriram que a parte da boca destes insetos envolvida na transmissão dos vírus fica no extremo distal dos estiletes maxilares, uma parte da anatomia do pulgão desconhecida até o momento.
Essa região fica no lugar no qual convergem o duto salivar e o duto alimentar dos estiletes maxilares, e é portanto o local pelo qual viajam tanto a seiva da planta ingerida como a saliva segregada pelo inseto.
O aparelho bucal dos pulgões - insetos de entre um e dois milímetros de comprimento - é formado por "estiletes", que têm aparência de agulhas finas e longas, e que lhes permitem penetrar no interior do tecido das plantas e sugar a seiva.
Fonte: Yahoo Brasil