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Aquáticos : Brasil também integra mercado consumidor de barbatanas de tubarão
Enviado por Délcio Rocha em 12/11/2007 10:01:02 (1209 leituras) Notícias do mesmo autor

Muita gente no Brasil e no mundo tem abolido ou reduzido o consumo de carne bovina por razões diversas. Entre elas, estão o cuidado com a saúde, já que a Medicina recomenda preferência à ingestão de pescado; motivações de ordem espiritual – com base na crença de que comer animais constitui-se em atraso na escala evolutiva - e/ou pelo conhecimento de que a pecuária é, sobretudo no Brasil, responsável por significativa parcela do desmatamento, para abrir espaço de pastagem ao rebanho.

Seja qual for a razão – e todas merecem respeito -, há que se dar aos pecuaristas ao menos o reconhecimento de que cada rês morta serve ao ser humano quase que integralmente – sem entrar aqui no mérito se esse “serviço” é justo ou não. Mas foi daí que nasceu o dito popular segundo o qual “do boi só não se aproveita o berro”.

Essa introdução foi provocada por reportagem publicada no início dessa semana no Jornal da Cidade – diário de maior circulação em Sergipe -, informando que o chinês Lou K. Chiang, radicado há 16 anos naquele estado, dedicou os últimos 15 a “colocar Aracaju na rota da comercialização da barbatana de tubarão”.

Registra a matéria, assinada pela jornalista Edjane Oliveira, que “em países com tradição de consumo – ou até mesmo em Estados da região Sul e Sudeste do Brasil -, a barbatana de tubarão é uma iguaria utilizada na preparação de sopas e guisados. No exterior, um prato da sopa chega a ser vendido entre US$ 90 e US$ 100”.

Segundo Chiang, nos tempos áureos, ele chegou a negociar, mensalmente, 200 quilos de barbatana original seca. Hoje, o máximo que consegue são 80kg ao mês. Ainda conforme a reportagem, os principais mercados compradores do produto na forma original são as cidades de Santos (SP), Belém (PA), Belo Horizonte (MG) e o Estado de Santa Catarina.

A reportagem informa corretamente que, em todo mundo, a comercialização da barbatana do tubarão é bastante controversa. “Ambientalistas alegam que, para satisfazer o desejo de consumidores de camadas sociais elevadas, que se alimentam dos pratos feitos à base da barbatana de tubarão como símbolos de status, um verdadeiro crime ecológico é cometido”, esclarece, colocando ainda que recentemente atletas chineses se uniram numa campanha contra o consumo de sopa feita deste produto, com o lema "Se você não comprar, não matam".

Mas qual a relação entre o consumo de bovinos e o de barbatanas de tubarão? Diferentemente do primeiro caso – onde tudo se aproveita -, em todo o mundo, pescadores retiram as barbatanas e devolvem ao mar a carcaça dos animais, prática ilegal conhecida como “finning”.

Registre-se que aqui não vai nenhuma insinuação de que o comércio do chinês radicado em Sergipe siga este caminho, mas o fato é que o consumo desta “iguaria” contribui para que o esgotamento dos estoques naturais de muitos tubarões seja “uma realidade perceptível”, na avaliação do biólogo marinho Marcelo Szpilman, diretor do Instituto Ecológico Aqualung e do Projeto Tubarões no Brasil (Protuba).

“Nas duas últimas décadas, as populações de algumas espécies pescadas em todos os oceanos já foram reduzidas em até 89%, beirando o colapso”, disse ele a AmbienteBrasil, lembrando portaria do Ibama, editada em 98, que proíbe a pesca do tubarão com o objetivo especifico de retirar as barbatanas. A lei estabelece que "o peso total das barbatanas não pode exceder a 5% do peso das carcaças".

Segundo ele, a prática do “finning” é proibida em muitos países, incluindo o Brasil, mas mesmo assim 120 deles participam ilegalmente desse lucrativo mercado – e novamente o Brasil encorpa a estatística. “Cerca de 100 a 150 milhões de tubarões são mortos anualmente em todos os oceanos, sendo boa parte para obtenção das nadadeiras”, diz Szpilman, para quem mesmo que essa parte do animal fosse diretamente para o prato de crianças famintas, seria “um total despropósito”.

“Mas não é exatamente para isso que são ceifadas. A indústria pesqueira obtém em torno de US$ 50 por quilo de nadadeira seca, contra US$ 1 por quilo da carne de tubarão. Nos mercados asiáticos, o quilo da barbatana pode atingir US$ 120”, coloca o biólogo.

Por: Mônica Pinto
Fonte: AmbienteBrasil

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