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Aquáticos : Cultivo de algas marinhas no Ceará preserva bancos da espécie e atrai novos peixes
Enviado por Délcio Rocha em 21/11/2007 8:41:51 (2534 leituras) Notícias do mesmo autor

Unir o desenvolvimento sustentável de uma comunidade no Ceará com a preservação dos bancos de algas marinhas é o objetivo do projeto SOS Algas, promovido na praia de Flecheiras, na cidade de Trairi, a 124 Km de Fortaleza.

As comunidades locais retiram algas do mar desde a década de 1970, mas, a partir do ano 2000, o extrativismo deu lugar ao cultivo, numa ação desenvolvida em parceria pela Associação dos Produtores de Algas de Flecheiras e Guajirú e as ONGs Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (Ider) e Terramar.

Antes do projeto, as algas marinhas eram extraídas dos seus bancos naturais ou coletadas na praia e secas na própria areia. Agora o cultivo de algas acontece em cordas, em pleno mar. O banco de algas é deixado intacto.

“As comunidades de Flecheiras e Guajirú já são historicamente ligadas à algicultura e à pesca artesanal. A atividade já era uma prática comum, mas com um caráter predatório e gerando pouquíssima renda”, explica a AmbienteBrasil o diretor do Ider, Jörgdieter Anhalt.

Segundo ele, o início do projeto se deu pela conscientização de que o mar é importante para a vida de cada morador e que preservá-lo é uma obrigação.

Na praia de Flecheiras, foi instalado o Centro de Processamento de Algas, onde elas são lavadas com a água doce - retirada do lençol freático por uma bomba alimentada por energia solar -, e desidratadas em um secador solar. O equipamento, construído na própria comunidade, seca as algas mais rapidamente e elimina problemas como pequenos animais, salinidade e areia, entre outros. A previsão dos envolvidos é que a capacidade produtiva do projeto cresça com a instalação de um novo secador solar e de novas cordas de cultivo.

O aumento da qualidade do produto permitiu que a venda de alga em estado bruto para a indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia saltasse de R$ 0,50 para 5,00.

Atualmente onze famílias estão envolvidas no projeto. “Com o retorno financeiro positivo, o engajamento das famílias foi facilitado”, diz Jörgdieter. Além dessas famílias, os pescadores da região também são beneficiados, já que, com a preservação do banco de algas, houve aumento na quantidade de peixes e lagostas.

“Espécies que antes estavam desaparecidas do local voltaram a aparecer porque as algas fazer parte da cadeia alimentar marinha e o aumento da quantidade de algas tem como conseqüência natural a volta de espécies como o camarão, lagosta e sirigado”, diz Jörgdieter.

Porém, a alga não é apenas comercializada em seu estado bruto. A comunidade também a utiliza como matéria-prima para produtos diversos, vendidos aos turistas que visitam a praia de Flecheiras. Entre esses produtos, estão sabonetes, xampus, cremes, bijuterias e até iguarias cotidianas, que se tornam exóticas com as algas, a exemplo de pizzas e panquecas.

De acordo com Jörgdieter, ambientalmente o projeto torna viável a exploração sustentável das algas marinhas. “Com o cultivo marinho, os bancos naturais seguem sua vocação de serem um ambiente propício para o desenvolvimento de uma rica fauna aquática”.

Prêmio internacional – O projeto foi um dos doze finalistas mundiais do The World Challenge, uma competição internacional promovida pela Shell, Newsweek e BBC. A escolha do vencedor será anunciada em uma cerimônia no dia 04 de dezembro, na Holanda. Concorrem com o SOS Algas, projetos da Indonésia, Nepal, Vietnã, Haiti, Peru, Afeganistão, Uganda, México e Colômbia.

“Ser finalista deste prêmio já é um resultado muito positivo: mostra que no Brasil há potencial para desenvolvimento de projetos sérios que efetivamente colaboram para a melhoria da qualidade de vida da população e preservam o meio ambiente”, contabiliza Jörgdieter. Segundo ele, as instituições envolvidas no projeto estão abertas para novas parcerias de forma a ampliá-lo e replicá-lo em outros locais.
Por: Neide Campos
Fonte: AmbienteBrasil

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