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Ciência e Tecnologia : Entidade pede que comunidade internacional crie sistema de observação do mar
Enviado por Délcio Rocha em 27/11/2007 22:33:06 (429 leituras) Notícias do mesmo autor

A Aliança para a Observação dos Oceanos (Pogo, pela sigla em inglês) deseja que a comunidade internacional implemente na próxima década um sistema de observação dos mares em nível mundial devido à devastação dos oceanos e à importância destes para o bem-estar econômico e social.

O pedido da organização foi feito dias antes da realização, entre 28 e 30 de novembro, na Cidade do Cabo (África do Sul), de uma reunião internacional de alto nível do Grupo de Observações da Terra (GEO), formado por 71 países.

"Estamos em um momento crucial, pois os oceanos são fundamentais para nosso clima, indústria, agricultura, reservas de água potável e saúde humana", disse à Agência Efe o biólogo Tony Haymet, diretor da Instituição Scripps de Oceanografia da Universidade de San Diego e presidente do Comitê Executivo da Pogo.

A Aliança para a Observação dos Oceanos, que reúne as principais instituições internacionais voltadas à pesquisa marinha, acredita que o aquecimento dos oceanos, a pesca predatória e a poluição são graves preocupações que devem ser melhor analisadas de forma a terem respostas adequadas.

"A preservação da biodiversidade dos oceanos é crucial para nosso bem-estar" acrescentou Haymet.

Os cientistas da Pogo acreditam que um sistema inicial adequado de observação custaria entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões, mas geraria lucros muito maiores que o valor investido.

"Um sistema integrado de observação marinha que funcione de forma contínua multiplicaria o investimento aplicado graças a operações marítimas mais seguras, à redução de danos de tempestades e à preservação de recursos marítimos animais", afirmou.

A idéia de cientistas como Haymet parece saída de um romance de ficção-científica, com milhares de pequenos robôs vigiando os oceanos e analisando as condições oceânicas, enquanto estações submarinas e satélites complementam seu trabalho.

Mas os cientistas ressaltam que, apesar de a proposta parecer distante da realidade, a tecnologia já existe e há redes de vigilância e investigação em andamento que comprovam que o sistema é viável.

O professor Jesse Ausubel dirige o Censo da Vida Marinha, programa que até 2010 terá catalogado as formas de vida marinha presentes e passadas. Segundo ele, um dos problemas é que, "em muitas décadas, os oceanos do mundo não tiveram um defensor politicamente poderoso".

O biólogo acrescentou que os oceanos precisam de uma figura como o ex-presidente americano John F. Kennedy, que conseguiu reunir esforços para criar o World Weather Watch nos anos 60 e lançar a pesquisa espacial.

"Embora tenhamos ministros que comparecerão à reunião do GEO na Cidade do Cabo, gostaríamos que os chefes de Estado também fossem", ressaltou Ausubel.

Os cientistas querem que a reunião do GEO promova a implantação de um sistema inicial de observação oceânica perante a preocupante situação dos oceanos.

"Em termos fisiológicos, estamos preocupados. As temperaturas estão aumentando, principalmente na camada superior de 100 metros, o que é consistente com o aquecimento global. E a acidez dos oceanos sobe cada vez mais à medida que o CO2 se dissolve nos oceanos", destacou Haymet.

Do ponto de vista biológico, Ausubel acrescentou que a situação é parecida.

"Em parte pela pesca predatória, em parte pela destruição das costas. Algumas das regiões mortas do oceano hoje em dia são precursoras dos oceanos do futuro", afirmou.

"Embora fundamentalmente as zonas mais profundas dos oceanos não tenham sido afetadas pela atividade humana, queremos ter os instrumentos de medição agora para que não nos surpreendamos pelo que pode ocorrer dentro de 10 ou 15 anos", acrescentou.

Fonte: Yahoo!

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