Os atropelamentos em rodovias são uma importante causa de mortalidade para várias espécies de animais silvestres em todo o mundo. Para a região do oeste gaúcho, poucos estudos tratando do tema foram desenvolvidos até o momento; ainda assim, é possível perceber-se que o impacto destes atropelamentos sobre algumas espécies é muito grande. Animais como os zorrilhos e graxains são encontrados mortos com freqüência quase que diária.
Visando detectar o efeito das rodovias BR 290 e BR 472 na mortalidade de vertebrados silvestres, técnicos do Escritório Regional do Ibama em Uruguaiana/RS estão realizando registros sistemáticos dos atropelamentos. Com isso, pretende-se além de gerar conhecimento, contribuir com a gestão ambiental no Pampa, além de transformar as informações coletadas em ferramentas educativas. No sentido de valorização e preservação da vida silvestre.
Diversos estudos confirmam que os índices de atropelamento tendem a aumentar em rodovias próximas ou que cortam áreas destinadas à conservação da natureza, como Parques, Estações Ecológicas e Reservas Biológicas. A BR 472 corta o Parque Estadual do Espinilho e o Banhado de São Donato. Neste contexto, encontrar saídas para minimizar os atropelamentos nestes locais, além de ser uma prioridade, é um desafio quanto à criação e viabilização de passagens seguras que interliguem as porções das Unidades de Conservação cortadas pelo asfalto.
Os carnívoros são, dentre os mamíferos, os que mais sofrem com atropelamentos. É provável que a susceptibilidade destes animais a atropelamentos se justifique por se tratar de espécies com grande capacidade de deslocamento e muitas vezes terem comportamento de comer carniça de outros animais atropelados, ficando vulneráveis.
As rodovias apresentam diferentes níveis de urbanização e extensas áreas de lavouras e vegetação nativa. A diversidade da fauna é alta, sendo freqüente a ocorrência de acidentes com espécies que utilizam a estrada como parte de seu habitat.
Animais encontrados nas rodovias da fronteira oeste, de maio de 2007 até o momento: gambá-de-cola-lisa, gato do mato, preá, lebre, graxaim, tatu peludo e mulita, mão-pelada, furão, cardeal, bem-te-vi, caracará, perdiz e outras aves, lagarto-teiú, jararaca e outras serpentes.
Fonte: Ibama