A suspensão do leilão do terreno de um milhão de metros quadrados, onde funcionava a fábrica da falida Companhia Mercantil Industrial Ingá, situado na Ilha da Madeira – Itaguaí (RJ), foi solicitada a 17 autoridades das esferas federal, estadual e municipal por doze organizações que congregam pescadores artesanais e entidades ambientalistas atuantes na Zona Oeste e nos municípios do entorno da Baía de Sepetiba, no estado do Rio de Janeiro.
Milhares de pescadores reivindicam sua habilitação judicial como credores da massa falida da Ingá, alegando prejuízos ocasionados pela degradação ambiental ocorrida nos últimos 20 anos, além de denunciarem sub-avaliação no preço mínimo estabelecido para arrematação da área, com possibilidade de direcionamento dos resultados da hasta pública, tendo em vista protocolo já firmado, no ano passado, entre os governos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, com objetivo de “dar um porto para Minas”.
O documento dos pescadores foi enviado à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente; a duas juízas - uma federal e outra estadual -, com atribuições legais sobre a causa; aos governadores Sérgio Cabral (RJ) e Aécio Neves (MG); aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, entre outros destinatários.
Segundo as entidades que representam os pescadores, dragagens altamente impactantes estão sendo realizadas pela CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), espalhando lama contaminada por metais pesados (lixo químico do processo de produção da Ingá) no interior da Baía de Sepetiba, o que forma ilhas de sedimentos na desembocadura dos rios, com sua obstrução, e canais com placas de ferro em pesqueiros utilizados há mais de 200 anos por pescadores artesanais.
Fonte: Ecoluna