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Aquáticos : Secretaria libera consumo de ostras, mas mantém restrição a mariscos em Santa Catarina
Enviado por Délcio Rocha em 17/4/2008 9:48:24 (1114 leituras) Notícias do mesmo autor

O maricultor catarinense Nei Nobre calcula que teve prejuízos de R$ 2,5 mil em apenas uma semana por causa do fenômeno conhecido como maré vermelha, registrado na região de Florianópolis (SC). O fenômeno aumenta a presença de algas tóxicas no mar e torna impróprio o consumo de mariscos. Apesar de sua produção não estar em área considerada 'de risco' pela Seap (Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca), Nobre deixou de vender cerca de 500 unidades de ostra.

O maricultor Nei Nobre calcula que teve prejuízos de R$ 2,5 mil em apenas uma semana. Por causa do fenômeno da maré vermelha deixou de vender 500 ostras.

Assim que foi detectada a maré vermelha, na última sexta-feira (4), Nobre e seus dois funcionários comeram ostras para testar. "Não sentimos nada, mas os clientes deixaram de comprar", conta. A situação é igual para os demais trabalhadores da região, segundo Nobre, que também é presidente da Associação dos Maricultores do Norte da Ilha (Mani).

A Seap liberou ontem a comercialização e o consumo de ostras oriundas da Baía Sul, na Grande Florianópolis. A região compreende as áreas ao Sul da Ilha de Santa Catarina e de São José. Mas a secretaria manteve a proibição da produção e venda de mexilhões (mariscos) criados tanto na Baía Sul como na Baía Norte da Ilha de Santa Catarina, além de Enseada de Zimbros em Bombinhas, no Litoral Norte do Estado.

O chefe do Centro de Aqüicultura e Pesca da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Francisco Oliveira Neto, explica que as ostras foram liberadas para consumo porque têm mecanismos diferentes dos mexilhões. Segundo ele, as toxinas liberadas pelas algas permanecem mais tempo no organismo dos mariscos.

A bióloga Carolina Lochs Silva contesta a informação e diz que é difícil medir a seletividade sobre a absorção de toxinas das ostras. Ela acredita que quem consumir mexilhões e ostras ainda corre risco e que o ideal seria aguardar mais uma semana.

Prejuízos acumulados
Nei Nobre conta que os maricultores já acumulavam perdas em razão das ocorrências do fenômeno em janeiro e setembro de 2007 - que duraram, respectivamente, 20 e 15 dias. "Ficamos três ou quatro meses com o comércio prejudicado. Em setembro, a maré vermelha se deu no Norte do Estado e não interrompemos as vendas, mas, mesmo assim, o efeito foi negativo. As pessoas não confiam nos diagnósticos e, geralmente, deixam de consumir."

Apesar disso, a Secretaria Nacional da Pesca não acenou, até o momento, com qualquer auxílio para amainar os prejuízos sofridos pelos produtores. Em audiência realizada entre maricultores e representantes de órgãos do governo estadual, o coordenador de maricultura da Seap, Felipe Suplicy, levou a proposta de uma empresa de seguros aos produtores. Mas, segundo Nobre, a idéia foi refutada pela maioria.

O presidente da Federação das Empresas de Aqüicultura de Santa Catarina, Fábio Brognolli, afirma que ainda não há como calcular os prejuízos. Ele vê a proibição com otimismo, pois acredita que a repercussão da restrição revela que há controle sobre a produção. "Se o consumidor vai se servir da ostra tranqüilamente, não teremos prejuízo, mas lucro. As pessoas vão dar mais confiança ao sistema de fiscalização de qualidade que as empresas e os órgãos públicos implementam para certificar o que sai de Santa Catarina."

Consumidor fica cinco dias de molho
A causa mais provável do fenômeno da maré vermelha é a poluição ou o aquecimento natural das águas. Até o momento, 12 pessoas foram internadas pelo consumo de frutos do mar contaminados, segundo a secretaria de Saúde de Florianópolis.

O porteiro Valdir Mário dos Santos, 38 anos, passou uma noite inteira sem dormir. Pelas próprias contas, teve que ir ao banheiro 20 vezes em razão do enjôo provocado pelo consumo de mexilhões um dia antes.

O caso aconteceu na Barra da Lagoa, no Leste da Ilha de Santa Catarina, onde mora. Santos havia comido mariscos com um amigo, em casa, um dia antes - na sexta-feira, 4. O produto havia sido comprado de um pescador local, provavelmente oriundos da Ilha do Xavier, ao Leste da Ilha. Apesar da possível origem, a região não é considerada afetada pela maré vermelha. O amigo também teve complicações por causa da ingestão dos mexilhões.

O porteiro começou a passar mal no meio da tarde de sábado. De lá até quarta-feira, quando melhorou, perdeu as contas das vezes que teve que vomitar. "Era comer algo e correr para o banheiro", recorda, contando que teve também diarréia durante o período.

Segunda-feira, Santos procurou uma farmácia e passou a tomar soro caseiro. Não chegou a faltar ao serviço, mas teve que deixar a portaria da pousada em que trabalha, no Centro de Florianópolis, para ir ao banheiro. Recuperado dois dias depois de começar a usar o soro e já comendo normalmente, ele não vê a hora de voltar a consumir o que tanto gosta. "É só passar essa maré vermelha que já volto a comer um marisquinho. Sabe como é pescador velho...", revela, sem traumas.

As conseqüências da ingestão de produtos contaminados pela alga Dynophysis acuninata são dores abdominais, diarréia e vômito. Não há tratamento definido, mas é recomendado que se beba muito líquido. Esta é a terceira vez que o fenômeno da maré vermelha é registrado em Santa Catarina. Em termos de contaminação, o pior tipo de alga é a Gymnodinium catenatun, que pode causar paralisia do sistema muscular e parada respiratória em casos extremos. Essa espécie, porém, nunca foi registrada no Estado.

Por: Luiz Nunes
Fonte: UOL

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