Uma pesquisa da Universidade de Londres sugere que a forma como abelhas procuram por alimentos pode ajudar detetives a caçarem assassinos em série.
Segundo os estudiosos, da mesma forma que as abelhas procuram alimento a certa distância de suas colméias, assassinos evitam cometer crimes perto de suas casas.
A análise dos pesquisadores descreve como as abelhas criam uma "zona de proteção" em volta das colméias, onde elas não buscam alimentos, para reduzir o risco de predadores e parasitas localizarem a colméia.
Os pesquisadores descobriram que este padrão de comportamento é parecido com o perfil geográfico de criminosos perseguindo suas vítimas.
"A maioria dos assassinatos ocorrem perto da casa do assassino, mas não na área que cerca diretamente a casa do criminoso, onde os crimes têm menos probabilidade de serem cometidos devido ao temor de ser flagrado por alguém conhecido", explicou Nigel Raine, que participou da pesquisa.
Conservação - Segundo os cientistas, a elaboração de "perfis geográficos" funcionou tão bem em abelhas que experiências futuras, com animais, poderão ser relatadas para melhorar a resolução de crimes.
O cientista Nigel Raine está trabalhando com colegas Steve Le Comber e Kim Rossmo, ex-detetive dos Estados Unidos, para etiquetar abelhas com minúsculos números coloridos, colados nas costas do inseto.
A equipe usa também minúsculas etiquetas de Identificação por Freqüência de Rádio - a mesma tecnologia usada para rastrear estoques em armazéns ou supermercados - para monitorar o movimento das abelhas. A partir daí eles seguem as abelhas das colméias até as flores.
A compreensão dos perfis geográficos dos animais também ajuda os biólogos a prever os locais onde estes animais e insetos poderão encontrar alimento. Sabendo onde estão esses locais, medidas de conservação são mais eficazes.
Este método de estudo funciona bem para várias criaturas diferentes, de abelhas e morcegos até grandes tubarões brancos.
Cena do crime - Segundo os pesquisadores, os modelos usados para descrever a forma como as abelhas procuram alimentos podem ser aplicados em humanos.
Ao invés de usar informações a respeito de distribuição de flores visitadas por abelhas para explicar o comportamento de inseto, o modelo de criminologistas vai usar detalhes sobre cenas de crimes, locais onde ocorreram roubos, carros abandonados, até cadáveres encontrados, para aperfeiçoar a busca por um suspeito.
"Abelhas têm o cérebro bem mais simples, então, entender como as abelhas são recrutadas para as flores é mais fácil do que entender os pensamentos complexos de um assassino em série", disse Raine.
Mas os cientistas afirmam que a compreensão da polinização também é importante para a alimentação dos humanos.
"Os 'serviços' de polinização das abelhas é responsável por um em cada três bocados de alimentos que consumimos. Elas polinizam uma enorme diversidade de nossas lavouras de frutas e vegetais", afirmou Raine.
Fonte: Estadão Online