O Zoológico de Niterói (ZooNit), no Grande Rio, que funciona como espécie de "hospital de referência" para os pingüins, recebeu somente na sexta-feira (25) 47 aves desta espécie encontradas na costa de Macaé, no norte do Estado. Agora, o local está superlotado: tem 193 pingüins, que consomem 850 quilos de peixe por semana.
Desde junho, o zoológico recebeu 250 aves. Mas muitas não resistiram. Para dar conta, a direção do ZooNit instalou nesta sexta-feira uma tenda, que funcionará como a emergência de um hospital.
As aves serão recebidas ali pelos biólogos, passarão por uma avaliação inicial e depois da triagem vão para a internação - locais em que os pingüins ficam sob lâmpadas de forte intensidade, enquanto recuperam a camada de gordura que perderam na jornada. De acordo com a presidente do zoológico, Giselda Candiotto, os pingüins são muito jovens, nadaram mais de 5 mil quilômetros e perderam-se da corrente fria do mar que os levaria de volta para casa. "Esse problema tem a ver com as mudanças climáticas. As correntes frias estão chegando cada vez mais longe. Os pingüins mais jovens saem para procurar cardume e não conseguem achar o caminho de volta", afirmou. A poluição também atrapalha.
De acordo com Giselda, o recorde do zoológico havia sido em 2005, quando em todo o inverno chegaram 230 aves. Apenas 30% se recuperaram. Esse ano, o índice está em 40%. A presidente do ZooNit agora tem de resolver uma questão de logística. As aves, depois de recuperarem o peso e voltarem a se alimentar sozinhas, têm de ser levadas para Rio Grande (RS), onde passam por nova triagem no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos e são devolvidas ao mar.
Esse transporte já foi feito pela Força Aérea Brasileira (FAB) em outras temporadas. Mas o vôo que segue para a Antártida está lotado com equipamentos e pesquisadores que vão trabalhar na Estação Antártica Comandante Ferraz. "Vou entrar em contato com o Centro de Hidrografia da Marinha e pedir que os pingüins sejam levados de navio. São cinco dias de viagem, em tanque salinizado, acompanhados por nossos biólogos. Se for preciso, peço patrocínio para o combustível. Mas é a única chance de os animais serem salvos", afirmou Giselda. Por: Clarissa Thomé
Fonte: Estadão Online