A grande extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos não fez surgirem diversas espécies novas entre os ancestrais dos mamíferos modernos, informou um grande estudo que contesta essa antiga hipótese.
A grande extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos não fez surgirem diversas espécies novas entre os ancestrais dos mamíferos modernos, informou um grande estudo que contesta essa antiga hipótese.
Um grupo de cientistas construiu uma grande árvore genealógica da evolução dos mamíferos e constatou que não há indícios de um surgimento repentino de novas espécies nessa época. Somente os mamíferos que estão extintos há muito tempo é que sofreram uma "explosão de novas espécies".
"Fiquei espantado", disse Ross MacPhee, co-autor do estudo e curador de zoologia de vertebrados do Museu Americano de História Natural, em Nova York.
Quando os dinossauros de extinguiram, os mamíferos eram pequenos, com tamanhos que variavam entre o de um rato e um gato. A teoria mais aceita até então era a de que, com o fim dos dinossauros, os mamíferos viram-se repentinamente livres para aproveitar novas fontes de alimentos e habitats, resultando no surgimento de diversas novas espécies.
O novo estudo, no entanto, afirma que isso ocorreu em um certo grau, mas que as novas espécies acabaram num beco sem saída na história da evolução. Em contrapartida não houve um grande aumento de espécies de ancestrais dos mamíferos modernos, como os roedores, gatos, cavalos, elefantes e os seres humanos.
Ainda segundo o estudo mostrou, houve um rápido aumento de espécies em um período que varia entre 100 milhões e 85 milhões de anos atrás, e outro que remonta a cerca de 55 milhões e 35 milhões de anos, informaram os pesquisadores na edição de quinta-feira, 29, da revista Nature.
O momento que ocorreu o primeiro desenvolvimento evolucionário coincide com as conclusões de alguns estudos anteriores de DNA de mamíferos, que afirmam que algumas linhagens de mamíferos tiveram uma origem muito mais antiga do que indicam registros fósseis.
Já a segunda diversificação de espécies estava, sim, incluída nos registros fósseis, acrescentou MacPhee. Mas ele afirmou que o novo estudo explica porque os cientistas não encontraram ancestrais relativamente parecidos com os animais modernos: sem receber nenhum impulso evolucionário até a extinção dos dinossauros, esses ancestrais continuavam sendo relativamente primitivos.
Alguns especialistas elogiaram o tamanho da nova árvore evolucionária, que lançou mão de um controverso método para combinar informações que abrangem a grande maioria das espécies de mamíferos.
Ela oferece um desafio aos paleontólogos para que encontrem novos fósseis que possam lançar luz à história natural dos mamíferos, disse Greg Wilson, curador de paleontologia de vertebrados no museu da Natureza e Ciência de Denver.
Fonte: Associated Press/ Estadão Online