Os primeiros bípedes aprenderam a caminhar entre as árvores, com a ajuda das mãos. A afirmação foi feita pelos biólogos britânicos Susannah Torpe e Roger Holder, da Universidade de Birmingham, e Robin Crompton, da Universidade de Liverpool.
Em um artigo publicado na edição de sexta-feira (01) da revista científica "Science", os autores defendem esta hipótese a partir da observação do comportamento de orangotangos na ilha indonésia de Sumatra.
Estes grandes macacos avermelhados, que passam quase toda a vida nas árvores, se deslocam de três formas distintas quando procuram comida.
Quando sobem nas árvores e alcançam um ramo horizontal robusto, os orangotangos caminham com as quatro patas. Ao encontrar um ramo de menor espessura, eles se penduram nele para avançar.
Ao chegarem aos ramos mais compridos e menos resistentes no topo das árvores, onde ficam as frutas mais saborosas, eles se erguem e se apóiam no pés.
Para manter o equilíbrio, esticam os braços, como trapezistas, até encontrarem outro ramo superior.
Os orangotangos são muito pesados para saltar de galho em galho, como fazem os chimpanzés.
Caminhando sobre suas duas pernas com a ajuda das mãos, os orangotangos indonésios são a chave para cogitar uma técnica de locomoção que poderia ser a dos primeiros hominídeos, que ainda viviam nas árvores.
À medida que apareciam mais e mais espaços entre os bosques na África, durante o Mioceno (de 5 a 23 milhões de anos atrás), os ancestrais dos chimpanzés e gorilas decidiram descer regularmente para o solo para inventar uma marcha quadrúpede original, apoiando-se em suas mãos.
O ancestral do orangotango asiático aperfeiçoou esta forma de locomoção em cima das árvores, enquanto o bípede do qual descende o homem decidiu fortalecer esse estilo no solo, nas savanas.
O problema é que essa descida das árvores, uma teoria muito popular há décadas, nunca foi provada e é apenas uma das tentativas de se explicar o caminhar ereto do homem.
"Se nossos ancestrais tinham uma anatomia como a que permite aos orangotangos fazer o que fazem, com mãos e pés tão bem adaptados à escalada e à suspensão, então seria bastante específico para explicar o que somos atualmente", disse a antropóloga francesa Yvette Deloison.
Fonte: France Presse/ Folha Online