Pesquisadores que estudam o DNA do homem de neandertal afirma que deve ser possível construir um genoma completo do antigo hominídeo, a despeito da degradação dos vestígios ao longo do tempo.
Também há esperança de se reconstruir o genoma do mamute e o urso das cavernas, de acordo com a pesquisa encabeçada por Svante Paabo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, baseado em Leipzig, Alemanha.
As descobertas da equipe de Paabo aparecem na edição desta semana de Proceedings of the National Academy of Sciences.
Há um debate acalorado sobre se existe parentesco entre o neandertal e o homem moderno. Alguns pesquisadores acreditam que o homem de neandertal simplesmente foi substituído pela humanidade contemporânea, enquanto outros dizem que os grupos podem gerado descendentes em comum.
O seqüenciamento do genoma do neandertal, espécie que viveu na Europa até cerca de 30.000 anos atrás, poderia lançar luz sobre a questão.
Em estudos do neandertal, do mamute e do urso das cavernas, a maior parte do DNA recuperado vem de microorganismos que colonizaram os corpos após a morte, dizem pesquisadores.
Mas eles foram capazes de identificar parte do DNA do cadáver original, e Paabo e seus colegas conseguiram determinar como as moléculas se quebraram ao longo do tempo. Eles também desenvolveram procedimentos para evitar contaminação por DNA dos humanos que trabalhavam manuseando o material.
"Estamos confiantes de que a obtenção de uma seqüência de genoma neandertal confiável é tecnicamente factível", afirma o artigo de Paabo e colegas.
"A contaminação e degradação do DNA tem sido uma questão séria pelos últimos dez anos", disse Erik Trinkaus, da Universidade de Washington em St. Louis. "Esta é uma tentativa séria de enfrentar a questão, e é bem-vinda".
"Não tenho certeza de que tenham resolvido totalmente o problema, mas deram um grande passo na direção correta", disse ele. Fonte: Estadão Online