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Ciência e Tecnologia : Ciência decifra o cotidiano dos mamutes
Enviado por Délcio Rocha em 30/7/2007 9:55:02 (1340 leituras) Notícias do mesmo autor

- A vida dos mamutes, paquidermes pré-históricos, perdeu muito de seus mistérios: os cientistas sabem cada vez mais como eles cresceram, viveram e sofreram ao longo de sua existência, antes de desaparecer há dez mil anos.

"Hoje podemos reconstituir quase que diariamente a vida de um mamute", assegura Bernard Buigues, diretor do International Mammouth Committee, entrevistado pela AFP após a quarta conferência internacional sobre o mamute realizada esta semana em Yakutsk, capital da república siberiana de Sakha.

Para este explorador francês, organizador de missões polares consagradas há anos na maior parte de suas atividades aos mamutes, os avanços realizados em termos de análise dos esqueletos desses animais extraídos do solo congelado da Sibéria permitiram obter inúmeras informações inéditas.

O exame dos anéis de crescimento (growth layer) das presas dos mamutes, realizado há oito anos na península de Taimyr, por uma equipe americana da Universidade de Michigan proporciona muitas informações.

É que, como os anéis de uma árvore, os dos mamutes permitiram acompanhar seu crescimento, as atividades adultas e suas temporadas de reprodução. Também dão indicações sobre os deslocamentos e os períodos de má nutrição sofridos pelos animais.

"Em seu crescimento", explica Bernard Buigues, "o marfim das presas fixa uma série de elementos químicos que permitem reconstituir a intensidade da vida do animal".

"Sabemos o que eles comeram, quando estavam com ciúmes de um outro macho, quando a fêmea estava grávida e até em que altitude viviam em função dos rastreadores isotópicos (os isótopos de nitrogênio e hidrogênio) absorvidos com a alimentação", acrescenta o explorador.

"Estamos numa etapa de comprovação, mas já podemos dizer que os mamutes siberianos viveram a 60 graus de latitude média, em regiões onde a noite dura três meses e os dias são muito curtos durante cinco meses".

"E, ao contrário do que se imaginava, não emigravam para o sul durante os períodos mais difíceis do ano. Nenhum dos animais analisados saiu de uma zona entre 700 e 800 km de diâmetro", acrescentou.

A reunião de Yakutsk foi marcada, além disso, por pesquisas no âmbito da genética graças aos novos meios de seqüenciação do DNA.

Hoje se sabe que o mamute estava mais perto do elefante asiático do que do elefante africano, apesar de a separação dos três acontecer quase ao mesmo tempo.

Dessa forma, os elefantes africanos abandonaram a família comum há seis milhões de anos e os asiáticos pouco depois da escala da evolução, ou seja, apenas 440.000 anos depois.

Com o avanço de informações, seria possível obter um mamute por inseminação de uma elefanta asiática a partir de um cultivo de células reativas extraídas de uma ossatura bem conservada?

"Na terceira conferências sobre mamutes, em 2003, a idéia provocou risadas gerais", recorda Bernard Buigues. "Mas depois de Yakutsk dizer que talvez cheguemos a ver um mamute caminhando deixou de ser considerado uma idéia descabelada", concluiu.

Fonte: AFP

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