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Ambiente em Foco : Manejo de jacarés ganha força na Amazônia
Enviado por Délcio Rocha em 2/8/2007 10:26:14 (2415 leituras) Notícias do mesmo autor

Os jacarés se tornaram importante economicamente no século XX, principalmente com a produção de peles, levando a um declínio da espécie na bacia amazônica. Como o mercado de couros diminuiu no mundo todo, a espécie pôde se recuperar. Atualmente a criação de jacarés para o comércio de couro está restrita a criadouros.

Hoje, o manejo de produção está voltado para a carne. Porém, apenas uma pequena parcela do que é vendido é feito de forma legal, através de criadouros legalizados. Grande parte ainda é feita clandestinamente.
Em algumas regiões amazônicas, o jacaré se tornou um problema. Existem conflitos entre pescadores e a espécie. A disputa pelo peixe ficou mais acirrada. Os pescadores alegam que os jacarés destroem as redes de pesca e utensílios, comem muito peixe, além das criações domésticas, como cachorro e galinha. Este quadro reforça a necessidade de se manejar a espécie. Com o manejo há um ganho indireto, já que a pesca será maior, com a retirada deste predador, e direto pela produção de carne e outros produtos do animal.
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá, no Amazonas, realiza um manejo sustentável da população local, o que é um referencial importante para alternativas de manejo de outras espécies da fauna. O manejo é realizado através de estoques naturais e não através de criadouros.
Para realizar o manejo sustentável são necessárias políticas adequadas com base territorial bem definida, conhecimento adequado da biologia da espécie e organização comunitária satisfatória.
George Rebelo, pesquisador do Inpa – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia indica que os melhores lugares para o manejo do jacaré são terras públicas, como florestas nacionais, reservas de desenvolvimento sustentável e áreas indígenas. “Não será liberada a caça ao jacaré, o manejo deve ser feito em áreas territoriais bem definidas”, argumenta o pesquisador em entrevista ao Portal Ambiente Brasil.
O pesquisador coordenou o simpósio “O manejo e a conservação de jacarés”, durante o 3º Congresso Brasileiro de Herpetologia, que ocorreu na última semana em Belém (PA).
Criadouros – O pesquisador explica que a criação em cativeiro é um dos componentes do manejo para produção, porém, ao mesmo tempo em que há grande potencial para produzir riquezas, é extremamente dependente de capital, o que o torna caro. Por outro lado, o objetivo de proteger a espécie pode ser ignorado, considerando que qualquer pessoa com um tanque pode produzir sem a necessidade de proteger a espécie. “A criação em cativeiro não é a solução para evitar o declínio da espécie”, afirma George.
O manejo de jacarés na Amazônia se forma com uma conjugação de esforços, ao fortalecer a organização comunitária e melhorar a vida das comunidades pobres. É um modo de valorizar a conservação da natureza, já que essas comunidades dependem dos recursos naturais para sobreviverem. “Em geral, as pessoas que trabalham com manejo percebem que é uma necessidade”, declara o pesquisador.

Quelônios – O manejo de quelônios amazônicos também foi discutido durante o 3º Congresso Brasileiro de Herpetologia. Os quelônios amazônicos são historicamente consumidos pelas populações amazônicas e pelo comércio regional. Algumas espécies estão praticamente extintas e outras estão em declínio.
A idéia defendida durante o encontro foi de que o manejo com a participação das comunidades locais é uma alternativa viável, que pode ser incorporada numa rede mais ampla voltada à conservação e pesquisa desse grupo biológico.

Por: Neide Campos
Fonte: Ambiente Brasil com informações da Assessoria de Comunicação do Museu Paraense Emílio Goeldi

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